Presidente de escola que exaltou Lula responde por morte de criança de 11 anos

 O presidente da escola de samba Acadêmicos de Niterói, Wallace Alves Palhares, foi oficialmente tornou-se réu em um processo penal que investiga a morte da menina Raquel Antunes, de 11 anos, ocorrida durante o Carnaval de 2022, no Rio de Janeiro. O caso voltou a ganhar notoriedade após a escola — que este ano desfilou com um enredo em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva — alcançar grande visibilidade nacional. 


O processo tramita na 29ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, e Palhares responde na Justiça por homicídio culposo, modalidade em que não há intenção de matar, mas há imputação de negligência pelo Ministério Público. 





O acidente que vitimou Raquel Antunes



Raquel Antunes da Silva tinha 11 anos quando, em 20 de abril de 2022, foi gravemente ferida durante a dispersão dos desfiles do Carnaval no Sambódromo da Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro. Ela foi prensada entre um carro alegórico em movimento e um poste, acidente resultante de falhas no deslocamento de alegorias após o término das apresentações. 


A criança foi socorrida ainda no local e levada a um hospital no centro do Rio, onde passou por procedimentos cirúrgicos, incluindo a amputação de uma das pernas. Apesar dos esforços médicos, ela morreu dias depois, enquanto estava internada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI). 





Investigação, denúncia e réus



O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ) denunciou oito pessoas em conexão com o caso, incluindo Palhares, por homicídio culposo. Entre os denunciados estão dirigentes da Liga das Escolas de Samba da Série Ouro (Liga-RJ), engenheiros, coordenadores de dispersão e motoristas envolvidos na operação que permitiu a circulação de um veículo pesado em meio ao público sem proteção adequada. 


Segundo as investigações, havia falhas sistemáticas na fiscalização, no isolamento das áreas de circulação de veículos após os desfiles e na proteção das pessoas presentes na dispersão do Sambódromo — especialmente crianças que transitavam sem barreiras físicas ou escolta de segurança. 





Responsabilidade e defesa



À época do acidente, Wallace Alves Palhares exercia também a presidência da Liga-RJ, entidade responsável pela organização dos desfiles da Série Ouro. A denúncia do MP sustenta que a liga não adotou medidas suficientes para garantir a segurança na área de dispersão, contribuindo para o acidente fatal. 


Em sua defesa, Palhares e representantes da Liga-RJ têm argumentado que o controle do espaço, o isolamento das alegorias e a segurança do entorno não seriam atribuições exclusivas da entidade, mas de órgãos públicos municipais e de outros responsáveis pela operação logísticas do evento. 





Andamento do processo



O processo ainda está em fase de instrução judicial. Audiências para colher depoimentos de testemunhas foram marcadas, e o caso segue sem uma sentença definitiva até o momento. 


A repercussão do caso também reacendeu debates sobre a segurança nos eventos carnavalescos, especialmente no pós-desfile, quando veículos e alegorias circulam em áreas em que ainda há público e imprensa. 


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